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Wednesday, December 17, 2008

Mundos tão reais como o nosso

Estive recentemente numa conferência onde ouvi John Seely Brown (antigo “chief scientist” da Xerox Corporation) argumentar sobre a importância que os jogos podem ter para o desenvolvimento das capacidades das pessoas na gestão de tarefas complexas e do trabalho em grupo. Ele usou o World of Warcraft como exemplo da forma como os jogos online podem ajudar a desenvolver essas competências. Bem... Eu próprio jogo WoW e gasto (talvez) tempo demais a seguir feeds RSS e de Twitter, mas a forma como estamos a começar a “respirar” tecnologia deixa-me um sentimento desconfortável. Um mundo no qual seja impossível distinguir o real do virtual parece estar ao nosso alcance. Até a ligação directa do cérebro a máquinas está mais avançada do que se imaginaria possível. Estarão a aproximar-se os pesadelos do The Matrix ou do eXistenZ ou sou eu que tenho visto ficção científica a mais? Veja este vídeo. Deixou-me a pensar...

Wednesday, November 26, 2008

Pios fractais

As teorias da
fascinam-me desde que andava na escola secundária. Para além da beleza da
, o que me cativou na complexidade foi a noção de que algo de radicalmente novo pode emergir das interacções normais do dia-a-dia. Acredito que a web está a facilitar a interacção humana de uma forma que torna cada vez mais óbvios os processos de aparecimento de padrões emergentes.

twitter.thumbnail
Um exemplo: o
, que já mencionei no último artigo. Na base, é um serviço muito simples para criar “microblogues”: cada um de nós tem 140 caracteres para responder à questão “o que estás a fazer?”. Parece simples, não é? Mas a seguir escolhemos quem seguimos (como se subscrevêssemos um feed RSS) e as pessoas que seguimos, se nos conhecerem, podem passar a seguir-nos também. Vendo a quem as pessoas que seguimos respondem, descobrimos mais pessoas que queremos seguir e, em pouco tempo, surge espontaneamente um grupo de gente que fala entre si, uma comunidade emergente. Então,
e políticos (
, por exemplo) começam a usá-lo para estabelecer uma ligação directa com os seus utilizadores e votantes. Utilizando a plataforma aberta do Twitter, programadores começam a fazer (e a vender)
. A utilização cresce e o
enquanto novos padrões continuam a emergir, sem um plano prévio ou uma intenção clara.

É isto que a “web 2.0” significa realmente para mim. Depois de acabar de ler o último livro do
(
), acredito que está a acontecer alguma coisa realmente significativa: uma nova geração de pessoas (dos 20 aos 30 e tal) estão a usar a tecnologia de uma forma diferente porque se libertaram: a tecnologia para eles é como o ar, não lhe dão demasiada atenção mas utilizam-na com toda a naturalidade!

Actualização - Depois de publicar este artigo, descobri algumas opiniões interessantes sobre o
:


Wednesday, November 19, 2008

Software à la carte

Uma das coisas que mais me impressiona em torno do sistema operativo da Apple, o Mac OS X, é a quantidade e qualidade do software produzido em open source ou por pequenas empresas que depois vendem os seus programas por qualquer coisa entre 10 e 50 dólares.

A última “pequena maravilha” que descobri foi o
, um programinha que faz uma coisa muito simples: junta no mesmo programa e interface as redes e grupos sociais em que participamos. Assim, podemos agregar a actividade do
, do
e do
(entre outros) e ainda juntar tudo o que tenha feed RSS.

Uma curiosidade do processo é que a equipa que está a desenvolver o projecto
para manter os clientes a par do que está a fazer. Mais do que isso, usam o
para interagir e ouvir os clientes. Assim, resolver bugs, explicar problemas e decidir que novas funcionalidades vão ser desenvolvidas torna-se num processo interactivo que podemos acompanhar ao vivo. É o verdadeiro software à la carte!

Picture 2

Wednesday, September 24, 2008

Geração Magalhães

magalhaes
Normalmente, evitaria escrever aqui sobre temas em que estou envolvido profissionalmente. Neste caso, não posso resistir. Desde que o Magalhães foi lançado no fim de Julho, já se escreveram muitos disparates sobre o assunto, mas ontem atingiu-se o pico. Depois de ver as respostas contra a maré do Marco, do Pedro e do Paulo Querido, sinto-me na obrigação de partlhar a minha parte da história.

Há dois anos, Portugal estava claramente dividido ao meio no acesso a computadores e Internet: metade das famílias tinham computador e banda larga, mas a outra metade estava excluída. Foi essa a razão que levou o Governo a avançar com o e-escola porque era claro que o mercado, só por si, não estava a conseguir quebrar essa barreira. Mas não foi fácil desenvolver o e-escola... Durante seis meses foi preciso ultrapassar dúvidas legítimas, montar uma logística complexa e ganhar o entusiasmo de operadores móveis, de fornecedores de hardware e software e das instituições públicas envolvidas em três ministérios diferentes.

Um ano depois, o sucesso do e-escola (já estão mais de 250.000 portáteis entregues a professores, alunos e adultos em formação) demonstrou que Portugal era um parceiro de confiança para iniciativas com esta ambição. Foi isso que criou a oportunidade para o Magalhães e o e-escolinha aparecerem. A Intel, que foi um dos parceiros do e-escola, ofereceu a sua plataforma Classmate como base para atingir o público mais novo. É preciso explicar que o Classmate da Intel não é um modelo de computador, é uma plataforma base sobre a qual os fabricantes podem construir o seu produto, com a sua marca. É por isso que não se encontram “Classmates” à venda, mas sim portáteis 2go e, agora, Magalhães.

Ao longo de meses, definiram-se requisitos para criar o Magalhães, com especificações próprias e, mais importante, garantindo que seria fabricado em Portugal. Não é indiferente importar um produto fabricado na China (como o OLPC) ou criar condições para um consórcio de empresas portuguesas fabricar a máquina cá, incorporando cada vez mais componentes fabricados também em Portugal. É por isso que em vez de se criar uma “simples” fábrica OEM, o Magalhães permitiu que fosse instalado em Portugal o primeiro ODM na Europa. Com o Magalhães, para além da concretização de um programa útil ao país, ganha-se escala para se poder exportar, como o exemplo da venda à Venezuela comprova.

O Magalhães vale mais do que a polémica estéril sobre se era “português”, se era o primeiro ou se tinha os filtros de conteúdo activos - não há programa que substitua o “controlo parental” dos próprios pais! O Magalhães vale pelo brilho que vi ontem nos olhos das crianças que o receberam em Mafra e vale pela oportunidade de acreditarmos e construirmos algo novo em vez de continuarmos a fazer a “autópsia” do que falhou. Vale sobretudo porque coloca o computador e a Internet ao alcance de todas as crianças, e não apenas daqueles que podem pagar os preços de mercado.

Com o e-escola e o e-escolinha, todos os alunos entre os 6 e os 18 anos passaram a ter ao seu alcance um computador com ligação. Estamos a falar, incluindo professores, de 1 milhão e meio de portugueses, cerca de 15% da população. Não há memória de um investimento desta ordem nem há nenhum País que tenha feito nada parecido. É por isso que o que está em causa é investir na nova geração de portugueses para lhes dar as oportunidades que faltaram às anteriores. Penso que foi por essa razão que o Leonel Moura lhes chamou no início de Agosto, numa crónica no Jornal de Negócios, “Geração Magalhães”.

Friday, December 7, 2007

É este o livro do futuro?

kindle
Era inevitável que a Amazon avançasse para o terreno dos livros electrónicos mas tenho dúvidas que seja desta que os livros em papel corram o risco de ficar obsoletos... Ainda assim, é verdade que o novo leitor de e-books da Amazon, o Kindle, parece ter alguns argumentos. É leve, tem bom contraste, os livros são relativamente baratos e parece ser fácil de usar navegando pelas opções. Pelo contrário, é caro (US$399), não tem um design extraordinário e a forma de ligação à rede é estranha usa a rede móvel mas não percebi muito bem como nem onde... Por enquanto vou continuar com o velho cheiro a papel e tinta, continuando a usar o telemóvel para uns livros comprados na Mobipocket. :)

Wednesday, August 29, 2007

Somos nós a máquina?



Este vídeo surgiu como uma resposta a uma descrição (um bocado monocórdica) da Web 2.0 que foi colocada no YouTube, mas já foi visto muito mais vezes (3.331.565 no momento em que escrevo). É uma ilustração fascinante do presente, da forma como a tecnologia está a mudar a forma como interagimos com a informação, como a organizamos e como a usamos.

Num mundo de texto digital, ligado por hiperligações, trocado através de XML e agregado em leitores de RSS, não estamos só a usar a máquina. É a “máquina” que nos usa a nós e somos nós que nos tornamos na “máquina”, uma rede de milhões de pessoas que comunicam entre si e partilham informação.

Inspirador ou assustador?

Wednesday, August 15, 2007

O site de todas as ideias

Desde 1984, mil pessoas por ano têm o privilégio de ouvir os maiores pensadores do mundo nas conferências anuais TED. Muito para além das áreas que a sigla TED sugere ("Technology, Entertainment, Design"), estas conferências tornaram-se num ponto de encontro de pessoas tão diferentes como Al Gore, Bono ou Chris Anderson. Os temas vão desde o impacto da tecnologia na nossa vida até à existência de Deus, passando pelo que nos faz feliz ou pelo próprio funcionamento da mente. Não há limites para a criatividade.

ted

O site TED - “Ideas Worth Spreading”, lançado em Abril deste ano, dá-nos acesso a quase tudo o que esse mil privilegiados puderam ouvir. Tudo, com um interface fabuloso, vídeos de boa resolução, preparados para ver no computador ou no iPod, em directo ou depois de fazermos o download. Um site fascínante, que já me levou a descarregar muitos vídeos, a ver outros tantos e a enviar alguns. E sim, há mesmo ideias que vale a pena espalhar.